Resenha – Os Robôs, de Isaac Asimov

setembro 22, 2013 em Livros, Resenhas por Daniel Arquimedes

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capa os robos isaac asimov

Eu fui à livraria de usados procurar o que ler. Tinha em mente algum título de ficção científica, devido à gratificação que tive em Admirável Mundo Novo. Procurei alguns nomes na internet e sempre me vinha Isaac Asimov como “O grande gênio da ficção científica”. Perguntei ao atendente da livraria, que julgamos naturalmente que entenda de literatura, o que ele tinha de Asimov. Ele me respondeu que seus títulos estavam em falta e só havia um livro dele lá, mas que Os Robôs era um dos “piorzinhos” e não me recomendava a leitura. Achei curioso o próprio atendente da livraria dizer para não ler tal livro, ainda mais sendo esse do “grande gênio…”. A curiosidade e a vontade de me aprofundar no gênero foi maior e acabei o comprando. Li e estou aqui para dizer o que achei.

Como toda ficção cientifica, Os Robôs nos introduz em um universo novo e bem desenvolvido. A história se passa em um futuro em que os humanos já colonizaram outros planetas, os quais eles chamam de “planetas exteriores”, além de já terem desenvolvido tecnologias avançadíssimas no campo da robótica. Mas, esses novos planetas foram colonizados de forma super organizada e, centenas de anos depois, se tornaram potências controladas que se sobrepuseram à Terra, planeta menos “rígido” e com graves problemas de super população. Com as ameaças, não explicadas no livro, dos planetas exteriores, os terrestres se refugiaram no subsolo, deixando os trabalhos de superfície aos robôs e assim desenvolvendo, de pouco em pouco, um grande repúdio a lugares abertos. A história começa com Elijah Baley, o detetive da Policia de NY, sendo convocado para solucionar um misterioso assassinato em Solaria, um dos exteriores, e praticamente sendo forçado a ir por seus superiores para que além de investigar, sirva de espião no planeta do qual os terrestres não tem quase nenhuma informação.

O livro faz uma ótima contextualização à realidade que propõe. E devo dizer que achei muito criativo. Em Solária existem muito poucas pessoas as quais estão bem distribuídas pelo planeta, então, as consequências desse fato são bastante bem pensadas e presente no livro. Os solarianos têm repúdio de se encontrar pessoalmente com outros e foram obrigados a fazerem uma organização que cuidaria do controle de natalidade e da inserção das crianças nessa realidade. E isso é muito bem utilizado quando o detetive tenta fazer os perfis psicológicos dos suspeitos e nas reações destes aos costumes terrestres do detetive.

E em meio dessa realidade, ainda são propostas algumas reflexões culturais. As crianças nascem com certos instintos sociais , que aos poucos são abafados e extintos pela sociedade. Será que isso não acontece em nossa sociedade? Nossos costumes são somente convenções sociais fúteis ou realmente são todos necessários?

É um tanto curioso ler um “romance policial” casado com uma ficção científica. Mas com certeza pode-se considerar essa característica como sendo o diferencial e o charme do livro, sendo esse o ponto em que o tal é mais competente. É super legal e curioso ver um detetive “brincando” com as três leis da robótica de modo a tentar burla-las e saber se poderiam ter sido burladas pelo assassino.

Mas o ponto crítico do livro foi em questão às deduções do detetive, as quais muitas vezes parecem artificiais e pouco embasadas. Continuando o livro entendemos que essas deduções são puramente “chutes” feitos pelo detetive que, parando para pensar, são bastante justificáveis devido à falta de desconhecimento dele sobre o planeta onde estará atuando.

A narrativa é bastante simples e fácil de entender, o que facilita muito a leitura. Imagino que isso tenha sido trabalho da tradução feita por Jonas Camargo Leite, para Editora Hemus que, apesar da tradução, eu julgo que fez um péssimo trabalho. Muitas vezes diálogos começavam ou terminavam sem que eu percebesse por falta de travessão e devida pontuação em algumas falas. Sem contar que duas vezes [grandes?] pedaços foram cortados e ainda não sei o quanto perdi.

Enfim, é um ótimo livro. Bem contextualizado e bem escrito. Há boas reviravoltas, apesar de demorarem um pouco para tomarem forma, o que pode desinteressar os leitores apressados (os quais com certeza, acharão que resolveram o crime antes do detetive. Eu achei). É um livro que recomendaria para novos leitores de ficção científica. Ele me conseguiu me entreter, me prender e me fez ter vontade de ler mais desse renomado autor.